OS JAPONESES NA PARAÍBA
Embora a imigração japonesa no Brasil esteja perto dos cem anos, na Paraíba, somente na década de 40, consta a presença de famílias de japoneses instaladas às margens do Jaguaribe (que corta a capital paraibana), mas como tiveram suas lavouras confiscadas durante a Segunda Guerra, não se tem notícia de alguma família remanescente daquela época. Numa reunião da ACBJ-PB, o Sr. Toshio Adachi, imigrante na década de 50, dedicando-se primeiramente ao cultivo de pimenta em Tomé-Açu, no Pará, contou-nos a seguinte história:
“Antes da II Guerra Mundial, o governo da Paraíba convidou e trouxe os japoneses para virem morar no Estado e ajudarem no desenvolvimento de atividades agrícolas. Ficaram às margens do rio Jaguaribe, em casas especialmente edificadas para a nova colônia. Tudo corria bem na parceria governo-colônia, até que explodiu a guerra. Com o ataque dos japoneses à base de Pearl Harbor, em 1945, e a conseqüente declaração de guerra, as notícias começaram a voar o mundo. Aqui em João Pessoa, correu o boato de que os japoneses de todo o mundo haviam recebido a ordem de lutar pelo Imperador e poderiam envenenar a água do rio e as hortaliças que produziam.
Os ânimos ficaram acirrados e o governo do Estado foi obrigado a tomar uma posição drástica. Levou todos os japoneses da colônia para a cidade de Pirpirituba, a 120 km da capital, onde ficaram confinados num campo de concentração até o fim da guerra.
Terminada a guerra, os japoneses foram liberados do confinamento e foram em busca das suas casas, mas encontraram todas habitadas. Tudo estava mudado e como não se tinha nenhum apoio do governo de então, sentiram-se motivados a voltar para a região sudeste/sul do Brasil.”
Parece que a família mais antiga, em João Pessoa, é a do sr. Eiji Kumamoto (ver relato abaixo).
A história dos japoneses na Paraíba é muito interessante. O primeiro japonês a aportar na Paraíba, que se tem notícia, foi Eiji Kumamoto, que, surpreendentemente, foi parar na cidade de Princesa Isabel (http://princesapb.sites.uol.com.br), alto sertão do Estado.
Clique no mapa para ampliar e veja a localização de Princesa.
(http://princesapb.sites.uol.com.br/artigo01.htm)
Foto feita com traje de guerrilheiro ou jagunço apenas para fazer fita. Eije
Kumamoto era o tesoureiro da Revolução dos Sertões.
Segundo o seu filho Ítalo, o primogênito, seu pai deixou o Japão com dois irmãos (um ficou nos EUA, outro foi para o sul do Brasil). Eiji ficou no porto do Recife, onde foi convidado pelo Coronel Zé Pereira (líder revolucionário que batalhou contra o Poder Constituído do Presidente João Pessoa) para acompanha-lo para Princesa Isabel. O Coronel, como muitos filhos ilustres de Princesa, havia estudado no Recife e lá fazia suas viagens rotineiras.
Eiji Kumamoto trabalhou, casou, criou os filhos e viveu em Princesa Isabel até idade avançada. Faleceu com mais de 90 anos, mas o seu nome ficou marcado para sempre na história da cidade e é comumente lembrado através dos filhos ilustres, fundadores do Memorial São Francisco.
O Dr. Ítalo Kumamoto, renomado cirurgião paraibano, além de empresário no setor da saúde, prepara um livro onde contará toda a história da sua família, uma verdadeira saga, que tem previsão de lançamento no ano de 2008, durante os festejos de 100 anos da imigração japonesa no Brasil.
Natural da cidade interiorana de Princesa Isabel, localizada no Sertão Paraibano, Ítalo Kumamoto se orgulha da origem sertaneja e da descendência japonesa:
"Muitos me chamam de japabano, uma mistura de japonês com paraibano. De fato, nasci em Princesa Isabel, uma cidade sertaneja típica, filho de um japonês (Eije Kumamoto) e de Marly Duarte Kumamoto, uma princesense´, destaca, enaltecendo sua terra natal: ´Princesa, para mim, é a cidade que Deus fez lá no alto para que ficasse mais perto dele. Ser princesense é ostentar um grande orgulho pela terra. A mistura, eu considero boa: do sertanejo, eu trouxe um pouco de garra; do japonês, eu trouxe um pouco de humildade e da disciplina."
Sobre Eiji Kumamoto, Tião Lucena (www.sitiodetiao.cjb.net <acessado em 30 de outubro de 2006) relata:
Toda vez que vejo Ítalo Kumamoto lembro logo do algodão que eu levava da roça para vender no armazém de ‘Seu Inhês’, pai dele. Quando havia festa e eu precisava de dinheiro para a diversão, pegava o saco, corria até o roçado do véi Miguel Fotógrafo, catava 10 quilos de algodão e ia vender a ‘Seu Inhês’, ou Seu Eiji, como é a escrita do seu nome em japonês.
Era um senhor magrinho, olhos apertados, boca murcha, cabelos pretos e no canto do beiço, um inseparável cigarro sem filtro.
Chegou a Princesa depois da primeira guerra. Propriamente a Princesa não, porque foi encontrado vagando no porto de Recife, sem saber uma vírgula de palavra em português, pelo coronel Zé-pereira, e por ele levado a Princesa Isabel, onde viveu até morrer. Balbuciou as primeiras palavras de nossa língua lidando com os cabras do coronel durante a guerra de 30. Era o almoxarife da revolta e foi como almoxarife que aprendeu o ofício de comprar e vender.
Passada a guerra, já casado com dona Marli Duarte, comprou terras, botou um armazém de compra e venda de algodão, mamona, milho, feijão e outros produtos agrícolas, foi pai de Ítalo, Eirinha, Bebé e Helder, os três primeiros formados em Medicina e o último em Direito, e viveu até os 90 anos mantendo os mesmos hábitos de quando era o rapazinho novo chegado num navio clandestino, fugindo da guerra do seu país.
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João Pessoa é a residência oficial de muitas famílias japonesas, oriundas do Japão na segunda metade do século XX, para trabalhar na Copesbra, empresa que praticava a pesca da baleia na costa brasileira, mais especificamente em Cabedelo (município portuário da grande João Pessoa). Assim, até a década de 50, a imigração trouxe um contingente para o setor primário, como a lavoura e pesca. Quando a empresa encerrou as atividades, as famílias permaneceram na terra do sol nascente ocidental, pois aqui haviam constituído família e lar, ingressando em atividades típicas da região, como comércio e serviços. Entre outras, podemos arrolar as famílias Sato, Mogi, Adachi, Saito.
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Já na década de 70 começam a migrar descendentes para atividades do terceiro setor, de outros estados brasileiros, principalmente de São Paulo. Só na Universidade Federal da Paraíba temos 19 famílias entre professores e funcionários, que aqui permaneceram e criaram família e habitação, aumentando sensivelmente a comunidade nipônica em nosso Estado. A maioria dos professores e autônomos de várias atividades trabalhistas está associada e engajada no projeto de manter viva a cultura japonesa.
Alice Lumi
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